Geraldo Cardoso Décourt – Criador do Botonismo – Ilustre Campineiro

Décourt conquistou o reconhecimento e admiração de uma legião de praticantes pela sua incansável dedicação em colocar esse esporte ao lado dos entretenimentos mais populares do Brasil.

Confira a excelente reportagem publicada pelo Correio Popular de Campinas, que abrange 23 cidades da região, no dia 13 de fevereiro de 2011, ano em que completaria 100 anos…

Ouça o Hino do Botonista em diversas versões

Homenagem – 100 anos no Open do SESC Campinas

Matéria do centenário no site da Afumeca – Cascavel PR

Nascido em Campinas/SP, foi pintor, escritor, compositor e ainda o inventor do futebol de botão. No dia 14 de fevereiro de 1911, dia do seu nascimento, foi oficializado pelo governador Geraldo Alckmin, em São Paulo, no ano de 2001, como o “Dia do Botonista”.

“Lei Nº 10.833, de 2 de julho de 2001
Institui o “Dia do Botonista”
O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:
Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu promulgo a seguinte lei:
Artigo 1º – Fica instituído o “Dia do Botonista”, a ser comemorado, anualmente, no dia 14 de fevereiro.
Palácio dos Bandeirantes, 2 de julho de 2001.
GERALDO ALCKMIN”

Geraldo Cardoso Décourt é, segundo a maioria, o precursor do que nós conhecemos hoje como futebol de mesa no Brasil. Ele jogava com botões de cueca, passando posteriormente a usar os botões da calça de seu uniforme escolar. Dessa brincadeira de criança surgiu o “jogo de botões”, aquilo que se tornaria o esporte difundido e amado por uma legião incontável de praticantes e admiradores, com sua diversidade de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número de países.
Por volta de 1929, com dezenove anos de idade, Décourt deu o nome de “Celotex”, que era o material usado para a confecção das mesas, inclusive com o lançamento do primeiro livro de regras.

Décourt foi um incansável divulgador e organizador de torneios e eventos de futebol de mesa em diversos estados brasileiros, o que propiciou o desenvolvimento do esporte, assim como sua popularização. Criou clubes e soube administrá-los com bastante amor. Carismático, semeou entre os que rodeavam o companheirismo puro e honesto, Faleceu em maio de 1998.

Fundou em 1975 o Botunice, reunindo grupos isolados de jogadores. Em julho de 1982 criou o Hino do Botonista. Certa vez declarou: “O futebol de mesa não é mais um LAZER, mas sim UMA CAUSA”.

O nome Celotex foi substituído por Futebol de Mesa, denominação adotada até hoje, e as regras foram mudadas, mas com certeza os praticantes dessa modalidade ainda se apoiam sobre as mesmas bases sólidas e imutáveis assentadas por Geraldo Décourt, o ‘Papa do Botonismo’.

Em seu livro “Aconteceu, sim”, autobiografia, publicado em 1987, Décourt reservou um capítulo exclusivo ao futebol de mesa. Um documento valioso para a história do botonismo e leitura indispensável para os amantes desse esporte.

Hoje o Futebol de Mesa é considerado um esporte, reconhecido pelo CND desde 1987 e praticado em vários estados brasileiros.

Hino do Botonista

agosto/1982

Letra e Música: Geraldo Cardoso Décourt

Esta partitura foi encomendada ao músico Sérgio de Oliveira de Moraes em 1995, exclusivamente para o livro Botoníssimo, de Ubirajara Godoy Bueno. O MIDI foi gravado pelo músico Hermes Monteiro, de São Bernardo do Campo – SP.

“Botonista eu sou com justo orgulho

Boto muita fé no meu botão

Botonista eu sou com muita honra

Isto é verdade, eu não me arrependo não

Botonista eu sou com persistência

Jogo a qualquer hora com prazer

(Pois jogando em qualquer regra! Eu vou praticando o meu lazer) -bis-

Eu jogo limpo, jogo sério sem esbulho,

Pois prá mim adversário considero como irmão

(Aviso logo para quem jogar comigo que somente me vencendo poderá ser campeão) -bis-“

Regra de Décourt

A primeira regra de futebol de mesa escrita por Geraldo Cardoso Décourt, apesar de não ser mais utilizada, ou melhor, ter sido aprimorada, foi fundamental para o esporte. Ela foi noticiada pelo jornal A Noite Esportiva em 1930 em uma reportagem sobre o celotex:

“ O Football Celotex é um sport de mesa, no qual, em cada jogo, tomam parte dois amadores, que por sua vez representam dois teams formados por onze botões, assim distribuídos: um guardião, dois zagueiros, três médios e cinco deanteiros.
Como se vê, o número de botões é idêntico ao número de players do Football Association.
Para ser iniciado cada match é necessário que os vinte e dois botões estejam nas respectivas posições em mesa e, então, o desfavorecido pelo “toss” dará o “kick-off”, com o centro avante, o qual estenderá um passe para um dos lados, onde um outro botão do mesmo team impulsionará a bola, dando assim início ao jogo.
Como se vê, enquanto um segundo botão do team favorecido com a saída inicial não tocar na bola, não valerá goal.
Procedida a saída, o outro amador, chamado de B, jogará com um de seus botões uma vez e assim, sucessivamente, um de cada vez até que seja registrada alguma falta.
A única ocasião em que cada amador poderá jogar duas vezes seguidas é, pois, no momento da saída do centro.
Depois de cada goal a bola deverá ser colocada no centro da mesa, e o team que tiver sido vasado dará a saída.
No Football Celotex considera-se foul quando um botão do team A roçar noutro do team B, sem que antes tenha “tocado” na bola.
Considera-se hands(coisa raríssima) quando um botão do team A ficar sobre a bola.
Neste caso, se for o guardião o infractor, proceder-se-á ordenando um “carring”, valendo goal direto.
No foul e no hands valem goals directos, e se as respectivas penalidades forem consignadas dentro da área perigosa ordena-se um penalty.
O “out-ball” é batido no lugar onde sair a bola, sendo que para ser valido um goal, procedente desta pena, é preciso que a bola toque em qualquer outro botão, antes de entrar na linha de goal.
Nas saídas de goal ou, melhor, nos goal kicks, não será consignado o ponto proveniente da referida falta diretamente, mas sim depois que a bola tenha sido tocada propositalmente.
Sempre que houver qualquer falta, os botões poderão ser removidos ou colocados pelas mãos dos patrões em lugares da mesa que este julguem convenientes.
Os botões-guardiões só impulsionam a bola nos goal-kicks, e fora disso eles poderão ser colocados pelos patrões em qualquer momento da partida, mas antes que seja desferido o tiro a goal e não depois do tiro ser dado.
O tamanho oficial da mesa é de 1m,20 de largura por 2m,40 de comprimento. Essas medidas são de dentro do campo, sendo que a parte que ficar externando a marcação quanto maior for melhor será.
As mesas devem ser feitas com um material americano feito das fibras do bagaço da cana-de-açúcar ou, então, de madeira coberta com um pano verde, próprio para cobrir mesas de jogo.
Aconselho estes dois exemplos pelo fato de ser necessário que a superfície não seja escorregadia.”

Origem

Explicar como e onde começou o futebol de mesa não é uma tarefa muito simples. Dois jogos podem ter originado o futebol de mesa:

o jogo da pulga, muito praticado na Europa, principalmente na Inglaterra que, consistia em pressionar uma ficha com outra fazendo com que esta saltasse para um determinado alvo, o gol, que seria um recipiente feito de vidro, madeira, plástico ou até papelão, sobre uma superfície lisa coberta por um tecido. Este jogo foi destaque no livro “Os Melhores Jogos do Mundo” da editora Abril. Veja abaixo uma breve descrição extraída do referido livro:

“Este jogo de destreza é muito popular em vários países da Europa e nos Estados Unidos, tanto entre as crianças como entre os adultos. Na Inglaterra, por exemplo, existem vários clubes e associações que se destinam exclusivamente à sua prática. Um dos maiores jogadores do país é o Príncipe Charles.
A semelhança estaria no fato de que essa ficha pressionada por outra, seria o botão pressionado pela palheta, com a diferença que no jogo da pulga a ficha salta em direção ao alvo, e no futebol de mesa, o botão desliza sobre a mesa para acertar a bola e fazer com que esta, sim, vá até o seu destino que seria a baliza, tendo ainda que transpor uma barreira que é o goleiro.

A outra hipótese, é que poderia ser derivado de um jogo com três tampinhas de garrafa, no qual com o dedo da mão fazia-se com que esta tampinha passasse entre duas outras, por três vezes, sem esbarrar nas demais até chegar ao seu alvo, que seria o gol.

A explicação para este jogo evoluir até o futebol de mesa seria que ao invés de empurrar a tampa com o dedo, passou-se a usar uma outra tampa, que seria a palheta, e no lugar da primeira tampa, o botão. E a exemplo do jogo da pulga, onde a ficha saltava para o gol, nesse jogo a tampa seria também impulsionada para o gol. Diferentemente do futebol de mesa, o botão atinge a bola para que esta chegue ao gol.

Mas o futebol, esporte mais popular do mundo, é quem foi o grande inspirador para a criação do futebol de mesa.
Botões de qualquer tipo de roupa, casacos e camisas, foram as primeiras peças utilizadas para se jogar, por isso o nome de futebol de botão. Botões maiores se transformavam nos “zagueiros” e menores viravam “atacantes”, fazendo uma analogia com o futebol.

Jogava-se inicialmente nas calçadas que passaram a ser os campos, riscava-se com giz o desenho do campo, porém não deslizavam muito bem e posteriormente passou a se jogar em pisos de cerâmica ou mármore até chegarmos às mesas de jantar, que eram grandes e não precisava se jogar agachado no chão. Não fica difícil imaginar porque o nome futebol de mesa é lógico, já que é um futebol com botões jogado em cima de uma mesa. Então a partir daí se encontrou o material ideal para se jogar, a madeira.

O material utilizado para confecção das mesas hoje é chamado de aglomerado, uma placa prensada e resistente constituída de partículas da madeira. Com o tempo os botões foram evoluindo e deixaram de ser apenas botões de roupas e passaram a ser feitos de coco, tampas de relógio, osso, plástico, fichas de pôquer, galalite até chegarmos aos dias de hoje em que são feitos de acrílico ou madrepérola sob medida, dependendo do gosto e técnica de cada botonista. Os botões hoje são feitos em diversas cores, formatos e tamanhos, sempre dentro das medidas mínimas e máximas de cada regra, alcançando um alto grau de requinte e sofisticação, até mesmo com escudos de times famosos embutidos. Fazendo com que hoje existam diversas lojas nos estados que praticam a modalidade especializadas no esporte. Apesar de toda essa evolução, nunca perderam o nome de botões.

Os goleiros também no passado sempre foram sempre improvisados, principalmente com caixas de fósforo nas quais eram colocados todo tipo de material para que ficasse pesado, como pedras, barro, chumbo derretido e pilhas usadas. Posteriormente se cobria a caixa de fósforo com fitas crepes ou isolantes dando um formato bonito ao goleiro, que hoje também é feito com o mesmo material utilizado nos botões.
Já as traves foram os componentes que menos se transformaram, anteriormente feitas de madeira, cujo material continua sendo utilizado por algumas modalidades e hoje utiliza-se também o arame feito de ferro galvanizado, pintado de branco. As redes são feitas de filó. E as palhetas que também eram os próprios botões, depois passaram a ser as fichas de pôquer ou até tampas de maionese, pois era necessário que fossem mais finas para acionar os botões. Também são feitas de acrílico ou madrepérola hoje assim como os botões.

A bola mesmo chegou a ser um botão, claro que dos menores, mas depois passou-se a utilizar miolo de pão, papel laminado e hoje são feitas de feltro ou plástico sob medida também de acordo com cada regra, podendo ser esféricas ou achatadas.

Fontes:

  • Wikipedia
  • Banco de Dados Folha
  • Aconteceu, Sim! (autobiografia)
  • Botonismo – Ubirajara Bueno
  • Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo – www.al.sp.gov.br