Futebol de Mesa é coisa de gente grande

Quem pensa que futebol de mesa é apenas um jogo comprado em loja de brinquedos, para uso preferencialmente infantil, está mal informado. Segundo Everson Luis Pinto, presidente da Liga Gaúcha de Futebol de Mesa, existem pelo menos mil praticantes ferrenhos do jogo no Rio Grande do Sul. E para esses homens (já que as mulheres ainda não invadiram os campos de compensado), bom mesmo é ter times exclusivos, feitos com materiais mais nobres do que o plástico.

Em Porto Alegre, os tais botões personalizados podem ser encomendados numa loja de poucos metros quadrados que parece vender apenas semijoias, mas que também oferece tudo que é preciso pra disputar uma partida a dedo. Além de botões artesanais de acrílico, a casa vende os de galalite, matéria-prima preferida dos experts, onde dá pra misturar cores e criar devaneios.

Pra se ter uma idéia, o dono do negócio, Guanair Carvalho, tem um botão batizado de Angélica – não por acaso, vem com uma mancha parecida com a da apresentadora de tevê: “Não trago para cá porque ficam querendo comprar”. Botonista há quase cinquenta anos, ele também fabrica artesanalmente campos de compensado, bolinhas, microgoleiros, fichas pra impulsionar os chutes e caixas especiais pra carregar os times, carinhosamente chamadas de “ônibus”.

No próximo sábado, o empresário e seus companheiros de jogo vão disputar as eliminatórias e as oitavas de final da Copa do Mundo de Botão, no Clube Ipiranga. Não passa de brincadeira, mas os times e as chaves são iguais aos da África. E qualquer pessoa pode acompanhar as partidas, desde que faça silêncio: “lá não tem vuvuzela”.

Na última vez em que simulou o Mundial numa mesa de compensado, Guanair representou a Suíça e ganhou o troféu de vice-campeão. Neste final de semana, vai comandar a seleção Japonesa, com grandes chances de vencer. E a lista de favoritos é bem diferente da realidade:

“Aqui, somos todos Felipões”, diz o botonista, assumindo o poder que todo brasileiro, no fundo, gostaria de ter. Se fosse montar o time perfeito, Guanair “homenagearia os maiores jogadores de todos os tempos”, colocando no campo seus melhores botões: Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Puskas, Amarildo, Beckenbauer, Amarildo, Di Stefano, Airton Ferreira da Silva, Manga e Falcão.

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