CRIADOR
DO 'BOTONISMO' - ILUSTRE CAMPINEIRO
Décourt
conquistou o reconhecimento e admiração de uma legião
de praticantes pela sua incansável dedicação
em colocar esse esporte ao lado dos entretenimentos mais populares
do Brasil.
Nascido
em Campinas/SP, foi pintor, escritor, compositor e ainda
o inventor do futebol de botão. No dia 14 de fevereiro
de 1911, dia do seu nascimento, foi oficializado pelo governador
Geraldo Alckmin, em São Paulo, no ano de 2001, como o "Dia
do Botonista".
"Lei
Nº 10.833, de 2 de julho de 2001
Institui o "Dia do Botonista"
O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO:
Faço saber que a Assembléia Legislativa decreta
e eu promulgo a seguinte lei:
Artigo 1º - Fica instituído o "Dia do Botonista",
a ser comemorado, anualmente, no dia 14 de fevereiro.
Palácio dos Bandeirantes, 2 de julho de 2001.
GERALDO ALCKMIN"
Geraldo
Cardoso Décourt é, segundo a maioria, o precursor
do que nós conhecemos hoje como futebol de mesa no Brasil.
Ele jogava com botões de cueca, passando posteriormente
a usar os botões da calça de seu uniforme escolar.
Dessa brincadeira de criança surgiu o “jogo de botões”,
aquilo que se tornaria o esporte difundido e amado por uma legião
incontável de praticantes e admiradores, com sua diversidade
de regras e materiais, tendo adeptos em um grande número
de países.
Por volta de 1929, com dezenove anos de idade, Décourt
deu o nome de "Celotex", que era o material usado para
a confecção das mesas, inclusive com o lançamento
do primeiro livro de regras.

Décourt
foi um incansável divulgador e organizador de torneios
e eventos de futebol de mesa em diversos estados brasileiros,
o que propiciou o desenvolvimento do esporte, assim como sua popularização.
Criou
clubes e soube administrá-los com bastante amor. Carismático,
semeou entre os que rodeavam o companheirismo puro e honesto,
Faleceu em maio de 1998.

Fundou
em 1975 o Botunice, reunindo grupos isolados de jogadores. Em
julho de 1982 criou o Hino do Botonista. Certa
vez declarou: "O futebol de mesa não é mais
um LAZER, mas sim UMA CAUSA".
O nome Celotex foi substituído por Futebol de Mesa, denominação
adotada até hoje, e as regras foram mudadas, mas com certeza
os praticantes dessa modalidade ainda se apoiam sobre as mesmas
bases sólidas e imutáveis assentadas por Geraldo
Décourt, o 'Papa do Botonismo'.

Em
seu livro "Aconteceu, sim", autobiografia, publicado
em 1987, Décourt reservou um capítulo exclusivo
ao futebol de mesa. Um documento valioso para a história
do botonismo e leitura indispensável para os amantes desse
esporte.
Hoje
o Futebol de Mesa é considerado um esporte, reconhecido
pelo CND desde 1987 e praticado em vários estados brasileiros.
Hino
do Botonista
agosto/1982
Letra e Música: Geraldo Cardoso Décourt

- Esta partitura foi encomendada ao músico Sérgio
de Oliveira de Moraes em 1995, exclusivamente para o livro Botoníssimo,
de Ubirajara Godoy Bueno. O MIDI foi gravado pelo músico
Hermes Monteiro, de São Bernardo do Campo - SP.
"Botonista
eu sou com justo orgulho
Boto
muita fé no meu botão
Botonista
eu sou com muita honra
Isto
é verdade, eu não me arrependo não
Botonista
eu sou com persistência
Jogo a qualquer hora com prazer
(Pois jogando em qualquer regra! Eu vou praticando o meu lazer)
-bis-
Eu
jogo limpo, jogo sério sem esbulho,
Pois
prá mim adversário considero como irmão
(Aviso logo para quem jogar comigo que somente me vencendo poderá
ser campeão) -bis-"
Regra
de Décourt
A primeira regra de futebol de mesa escrita por Geraldo Cardoso
Décourt, apesar de não ser mais utilizada, ou melhor,
ter sido aprimorada, foi fundamental para o esporte. Ela foi noticiada
pelo jornal A Noite Esportiva em 1930 em uma reportagem sobre
o celotex:
“ O Football Celotex é um sport de mesa, no qual,
em cada jogo, tomam parte dois amadores, que por sua vez representam
dois teams formados por onze botões, assim distribuídos:
um guardião, dois zagueiros, três médios e
cinco deanteiros.
Como se vê, o número de botões é idêntico
ao número de players do Football Association.
Para ser iniciado cada match é necessário que os
vinte e dois botões estejam nas respectivas posições
em mesa e, então, o desfavorecido pelo “toss”
dará o “kick-off”, com o centro avante, o qual
estenderá um passe para um dos lados, onde um outro botão
do mesmo team impulsionará a bola, dando assim início
ao jogo.
Como se vê, enquanto um segundo botão do team favorecido
com a saída inicial não tocar na bola, não
valerá goal.
Procedida a saída, o outro amador, chamado de B, jogará
com um de seus botões uma vez e assim, sucessivamente,
um de cada vez até que seja registrada alguma falta.
A única ocasião em que cada amador poderá
jogar duas vezes seguidas é, pois, no momento da saída
do centro.
Depois de cada goal a bola deverá ser colocada no centro
da mesa, e o team que tiver sido vasado dará a saída.
No Football Celotex considera-se foul quando um botão do
team A roçar noutro do team B, sem que antes tenha “tocado”
na bola.
Considera-se hands(coisa raríssima) quando um botão
do team A ficar sobre a bola.
Neste caso, se for o guardião o infractor, proceder-se-á
ordenando um “carring”, valendo goal direto.
No foul e no hands valem goals directos, e se as respectivas penalidades
forem consignadas dentro da área perigosa ordena-se um
penalty.
O “out-ball” é batido no lugar onde sair a
bola, sendo que para ser valido um goal, procedente desta pena,
é preciso que a bola toque em qualquer outro botão,
antes de entrar na linha de goal.
Nas saídas de goal ou, melhor, nos goal kicks, não
será consignado o ponto proveniente da referida falta diretamente,
mas sim depois que a bola tenha sido tocada propositalmente.
Sempre que houver qualquer falta, os botões poderão
ser removidos ou colocados pelas mãos dos patrões
em lugares da mesa que este julguem convenientes.
Os botões-guardiões só impulsionam a bola
nos goal-kicks, e fora disso eles poderão ser colocados
pelos patrões em qualquer momento da partida, mas antes
que seja desferido o tiro a goal e não depois do tiro ser
dado.
O tamanho oficial da mesa é de 1m,20 de largura por 2m,40
de comprimento. Essas medidas são de dentro do campo, sendo
que a parte que ficar externando a marcação quanto
maior for melhor será.
As mesas devem ser feitas com um material americano feito das
fibras do bagaço da cana-de-açúcar ou, então,
de madeira coberta com um pano verde, próprio para cobrir
mesas de jogo.
Aconselho estes dois exemplos pelo fato de ser necessário
que a superfície não seja escorregadia.”
Origem
Explicar
como e onde começou o futebol de mesa não é
uma tarefa muito simples. Dois jogos podem ter originado o futebol
de mesa:
o
jogo da pulga, muito praticado
na Europa, principalmente na Inglaterra que, consistia em pressionar
uma ficha com outra fazendo com que esta saltasse para um determinado
alvo, o gol, que seria um recipiente feito de vidro, madeira,
plástico ou até papelão, sobre uma superfície
lisa coberta por um tecido. Este jogo foi destaque no livro “Os
Melhores Jogos do Mundo” da editora Abril. Veja abaixo uma
breve descrição extraída do referido livro:
“Este jogo de destreza é muito popular em vários
países da Europa e nos Estados Unidos, tanto entre as crianças
como entre os adultos. Na Inglaterra, por exemplo, existem vários
clubes e associações que se destinam exclusivamente
à sua prática. Um dos maiores jogadores do país
é o Príncipe Charles.
A semelhança estaria no fato de que essa ficha pressionada
por outra, seria o botão pressionado pela palheta, com
a diferença que no jogo da pulga a ficha salta em direção
ao alvo, e no futebol de mesa, o botão desliza sobre a
mesa para acertar a bola e fazer com que esta, sim, vá
até o seu destino que seria a baliza, tendo ainda que transpor
uma barreira que é o goleiro.
A outra hipótese, é que poderia ser derivado de
um jogo com três tampinhas de garrafa,
no qual com o dedo da mão fazia-se com que esta tampinha
passasse entre duas outras, por três vezes, sem esbarrar
nas demais até chegar ao seu alvo, que seria o gol.
A explicação para este jogo evoluir até o
futebol de mesa seria que ao invés de empurrar a tampa
com o dedo, passou-se a usar uma outra tampa, que seria a palheta,
e no lugar da primeira tampa, o botão. E a exemplo do jogo
da pulga, onde a ficha saltava para o gol, nesse jogo a tampa
seria também impulsionada para o gol. Diferentemente do
futebol de mesa, o botão atinge a bola para que esta chegue
ao gol.
Mas
o futebol, esporte mais popular do mundo, é quem foi o
grande inspirador para a criação do futebol de mesa.
Botões de qualquer tipo de roupa, casacos e camisas, foram
as primeiras peças utilizadas para se jogar, por isso o
nome de futebol de botão. Botões maiores se transformavam
nos “zagueiros” e menores viravam “atacantes”,
fazendo uma analogia com o futebol.
Jogava-se inicialmente nas calçadas que passaram a ser
os campos, riscava-se com giz o desenho do campo, porém
não deslizavam muito bem e posteriormente passou a se jogar
em pisos de cerâmica ou mármore até chegarmos
às mesas de jantar, que eram grandes e não precisava
se jogar agachado no chão. Não fica difícil
imaginar porque o nome futebol de mesa é lógico,
já que é um futebol com botões jogado em
cima de uma mesa. Então a partir daí se encontrou
o material ideal para se jogar, a madeira.
O material utilizado para confecção das mesas hoje
é chamado de aglomerado, uma placa prensada e resistente
constituída de partículas da madeira. Com o tempo
os botões foram evoluindo e deixaram de ser apenas botões
de roupas e passaram a ser feitos de coco, tampas de relógio,
osso, plástico, fichas de pôquer, galalite até
chegarmos aos dias de hoje em que são feitos de acrílico
ou madrepérola sob medida, dependendo do gosto e técnica
de cada botonista. Os botões hoje são feitos em
diversas cores, formatos e tamanhos, sempre dentro das medidas
mínimas e máximas de cada regra, alcançando
um alto grau de requinte e sofisticação, até
mesmo com escudos de times famosos embutidos. Fazendo com que
hoje existam diversas lojas nos estados que praticam a modalidade
especializadas no esporte. Apesar de toda essa evolução,
nunca perderam o nome de botões.
Os goleiros também no passado sempre foram sempre improvisados,
principalmente com caixas de fósforo nas quais eram colocados
todo tipo de material para que ficasse pesado, como pedras, barro,
chumbo derretido e pilhas usadas. Posteriormente se cobria a caixa
de fósforo com fitas crepes ou isolantes dando um formato
bonito ao goleiro, que hoje também é feito com o
mesmo material utilizado nos botões.
Já as traves foram os componentes que menos se transformaram,
anteriormente feitas de madeira, cujo material continua sendo
utilizado por algumas modalidades e hoje utiliza-se também
o arame feito de ferro galvanizado, pintado de branco. As redes
são feitas de filó. E as palhetas que também
eram os próprios botões, depois passaram a ser as
fichas de pôquer ou até tampas de maionese, pois
era necessário que fossem mais finas para acionar os botões.
Também são feitas de acrílico ou madrepérola
hoje assim como os botões.
A bola mesmo chegou a ser um botão, claro que dos menores,
mas depois passou-se a utilizar miolo de pão, papel laminado
e hoje são feitas de feltro ou plástico sob medida
também de acordo com cada regra, podendo ser esféricas
ou achatadas.
Fontes:
- Wikipedia
-
Banco de Dados Folha
-
'Aconteceu, Sim!' (autobiografia)
-
'Botonismo' - Ubirajara Bueno
-
Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo
- www.al.sp.gov.br
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