
Esportes
Elite do futebol de mesa se reúne em Campinas
Cerca de 200
jogadores de vários estados competem a partir de quinta-feira

Paulo Santana
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
santana@rac.com.br
Todo amante do futebol
sonhou algum dia na vida experimentar a emoção de ter seu
próprio time. Ser ao mesmo tempo técnico e jogador. Imaginar-se
pisando o gramado do Maracanã ou de Wembley. Melhor ainda,
marcando um gol pela sua equipe ou erguendo a taça de campeão.
Fantasias que só mesmo o futebol de mesa pode proporcionar.
E é em busca da realização de tudo isso que 200 atletas
de 11 estados do País "entrarão em campo", de quinta-feira
até domingo, no Ginásio do Taquaral, em Campinas, para a
disputa do 19º Campeonato Brasileiro de Futebol de
Mesa.
A coisa é séria. Haverá até a execução do Hino Nacional
Brasileiro, conforme prevê a legislação. A banda SLG, acostumada
a se apresentar nas praças de Campinas, fará a abertura
oficial do torneio que será dividido em quatro categorias
(adulto, masters, juvenil e infantil), na modalidade 12
toques.
Na categoria adulto estão inscritos os 96 melhores botonistas,
subdivididos nas séries ouro, prata, bronze e extra. Os
64 masters jogarão nas séries ouro, prata e bronze. Os 20
atletas juvenis, com idade entre 15 e 18 anos, e os 20 da
categoria infantil (até 14 anos) jogam apenas uma série.
E todos os inscritos chegaram ao maior evento da modalidade
no Brasil por causa dos bons resultados obtidos em suas
cidades e respectivos estados. "As vagas foram divididas
de acordo com o ranqueamento oficial. Ninguém entrou por
indicação ou qualquer tipo de favorecimento", avisa o presidente
da Federação Paulista, José Jorge Farah Neto.
Campinas foi escolhida sede do torneio por uma questão estratégica.
"Os grandes clubes de São Paulo, como Palmeiras, Corinthians
e Santos, já têm seus times oficiais. O São Paulo está em
vias de entrar para a Federação e Campinas também precisa
estar representada. Se não pelo Guarani ou a Ponte, então
que seja por outro time", lembra o dirigente Farah Neto.
Atualmente, o Clube do Botão, que tem sua sede na
Vila Nova, disputa competições com seus 30 integrantes,
mas apenas dez são federados e oficialmente jogam pelo Rio
Branco, de Americana. O grupo fez uma parceria com a Sociedade
Cultural Musical, Recreativa e Social São Luís Gonzaga para
utilizar sua sede para treinos, encontros e torneios internos.
O objetivo é espalhar o esporte pela cidade. "Estamos buscando
apoio de empresas e clubes interessados em nos ajudar. Já
tentamos com o Guarani e a Ponte, mas não deu certo. Primeiro,
porque os clubes não demonstraram interesse. Depois, porque
temos bugrinos e pontepretanos que não gostariam de vestir
a camisa do time rival", conta o coordenador do Clube do
Botão, Ricardo Nardy.
Técnica conta pontos no esporte
Para ser um bom jogador de futebol de mesa é preciso
ter habilidade, técnica e — como tudo na vida — um pouco
de sorte. O jogo tem atacante, goleiro e bola. Pela regra
tem lateral, escanteio e muitas outras particularidades.
Em Campinas, o grupo que forma o Clube do Botão está a um
passo de atingir a marca de 200 torneios internos. Uma história
que começou em 90.
Não se sabe ao certo o ano e o inventor desse esporte.
Maria Cristina Von Atzingen, em seu livro "História do Brinquedo"
(ed. Alegro - 2001), dá duas versões para o surgimento:
a primeira é de que teria sido inventado em 47 por Peter
Adolph, com o nome de "subbuteo". Mas ressalva que em 30,
o carioca Geraldo Décourt teria inventado o jogo, que seria
jogado com peças feitas de um material chamado "celotex".
O que se tem certeza é que nos anos de 70
e 80 uma geração inteira foi tomada pelos encantos desse
jogo. Em qualquer conversa sobre o "futebol de botão" ou
"futebol de mesa", como muitos preferem designar, é possível
ouvir divergentes histórias sobre o esporte. O improviso
com tampas de relógio ou fotos de jogadores recortadas de
jornais e colados nos botões são as mais comuns.
Em 88, Júlio Paterno, fundador do Grêmio Butantã de Futebol
de Mesa Amador, conheceu o esporte no Palmeiras. "Jogávamos
em casa, na mesa da cozinha", conta Júlio, que em 90 fundou
o Salão da Casa da Sogra. "Como na casa da minha sogra tinha
um salão grande, passamos a reunir amigos para partidas.
O número de amigos foi crescendo e veio a idéia de se montar
algo mais sólido."
Em Campinas, o futebol de mesa reúne admiradores.
"A idade dos jogadores varia bastante, tanto quanto a profissão",
lembra Ricardo Nardy. No site oficial dos botornistas de
Campinas (www.clubedobotao.com.br), ele conta que
o amor surgiu nos finais de tarde depois do trabalho, dentro
da própria empresa. "Começamos a achar em nossas casas times
da infância de diversas marcas e modelos. Com uma trave
solitária foi dado o primeiro chute ao gol", recorda.
O primeiro campo era improvisado. Ele e o
amigo Eduardo Valverde transformaram uma chapa de aglomerado
que seria utilizada para a construção de uma mesa de escritório
em um belo gramado. "Os times mais usados eram o Guarani
(do Ricardo), e a Ponte Preta (do Eduardo)", conta. (PS/AAN)
SAIBA MAIS - Conheça algumas curiosidades do esporte
O esporte chegou a ser proibido porque as crianças nas escolas
tiravam os próprios botões de suas roupas para simular o
jogo.
No Brasil, mais de 10 mil botonistas são filiados à Confederação
Brasileira de Futebol de Mesa.
Um chute a gol pode ultrapassar a marca de 100km/h.
Concentração é fundamental. 4Os toques são milimétricos,
de precisão cirúrgicas. Um só desvio pode mudar a história
da partida.
Existem três regras no Brasil. A primeira e mais técnica
é a carioca. Nesse método, os jogadores têm dois tempos
de 20 minutos para disputar a partida. As outras são a paulista
e a baiana.
Fontes: www.futeboldemesanews.com.br e www.clubedobotao.com.br
Modalidade conquistou praticantes fora do País
O futebol de mesa é muito praticado no Brasil,
mas também tem milhares de simpatizantes na Argentina, Espanha
e Hungria, país onde fica a "Fifa" do esporte. Somente no
Brasil, são 11 federações estaduais inscritas na Confederação
Brasileira de Futebol de Mesa. No país do futebol, já foram
organizados 12 Campeonatos Brasileiros, reunindo, cada um
deles, 200 botonistas, como o que acontecerá em Campinas
a partir de quinta-feira, no Ginásio do Taquaral.
Mas, assim como no futebol tradicional, os "brazucas"
estão ganhando o mundo. O presidente da Federação Paulista,
José Jorge Farah Neto, foi convidado e já aceitou ser um
dos vice-presidentes da entidade mundial, que tem sede na
Hungria. "É muito importante para o crescimento do esporte
no nosso país. Agora também poderemos disputar a Copa do
Mundo", destaca o dirigente.
No mês passado, o Futmesa Japan organizou
o segundo encontro de botonistas, na Associação Internacional
de Kawasaki, na província de Kanagawa, no Japão. "Mesmo
as crianças que não praticam o futebol se divertiram bastante.
Acharam as regras um pouco difíceis, mas entenderam como
é divertido jogar com seus amigos", conta a organizadora
Halley Koichi Tanaka.
O Futmesa foi convidado para que, no dia 13 de Julho de
2008, possa repetir o evento que acontecerá na Associação
Internacional de Kawasaki. (PS/AAN)
Revista Metropole
Clube da bolinha
Publicada
em 29/7/2007
Craques do botão:
a velha brincadeira de infância ganhou regras, materiais
modernos e o cobiçado status de esporte
Rodrigo Maia
rodrigom@rac.com.br
Maradona toca para Ronaldinho
Gaúcho, que lança Pelé e o Rei encobre
o goleiro soviético Yashin. Nos gramados pelo mundo
afora, esse lance jamais se realizaria, especialmente porque
escala jogadores de épocas diferentes. No entanto,
no Clube do Botão, a ficção ganha toques
de realidade por conta da imaginação de seus
freqüentadores. Assim, a jogada dos sonhos é
perfeitamente possível nas partidas de futebol de
mesa espalhadas pela sala de disputa.
A antiga brincadeira de
criança ganhou regras e atingiu o status de esporte.
Os botões passaram por avanços tecnológicos,
a mesa foi remodelada e o jogo precisou ser mais pensado
em forma de estratégia. O velho “pro gol”
segue firme, só que não pode ser de qualquer
lugar do campo.
No Clube do Botão,
cerca de 30 sócios disputam partidas todas as quartas-feiras
à noite e também no último sábado
de cada mês. Para os fanáticos pelo futebol
de mesa, a ansiedade toma conta quando os dias dos jogos
se aproximam. Exemplo disso é Edson Fortuna. Praticante
de botão desde que se entende por gente, o servidor
público não marca compromissos na hora dos
jogos. Chegou a recusar um horário sugerido para
a realização do ultra-som da namorada, grávida
de oito meses. “Não ia dar tempo para chegar
ao clube. Pedi para secretária marcar para mais cedo”,
brinca.
A paixão pelo esporte
é tão grande, que Fortuna guarda com carinho
até hoje seus dois primeiros times de botão,
Cruzeiro e Atlético-MG, e também o “estrelão”
(campo de futebol de botão) que ganhou de presente.
Hoje, aos 40 anos, possui mais de 80 equipes diferentes
em sua coleção. “São times nacionais,
internacionais e seleções. Mas para disputar
competições, utilizo apenas cinco”,
conta.
Para cada regra, é
recomendado um tipo de botão. Assim, Fortuna, que
costuma jogar na regra Paulista, já tem equipe própria
para ela. Torcedor do Guarani, ele não esconde sua
predileção pelo botão do Bugre. “Tenho
uma equipe que é o time campeão brasileiro
de 78. Tem o nome de todos os jogadores. É o meu
xodó”, diz.
Organização
nota 10
Apesar de os praticantes
de futebol de mesa terem o esporte como um hobby, o Clube
do Botão é levado muito a sério e organizado
nos moldes de uma entidade profissional. Criado em 1990
por Ricardo Nardy e Eduardo Valverde, e batizado com o nome
de Dorian Gray, o clube ganhou vários sócios
ao longo do tempo.
Se no início apenas
os dois fundadores disputavam as partidas (leia-se dérbi),
hoje 30 apaixonados mostram seus talentos pelas seis mesas
da organização. Em 2005, foi renomeado para
Clube do Botão. Em parceria com a Sociedade Cultural,
Musical, Recreativa e Social São Luiz Gonzaga conseguiram
um espaço para praticar o esporte.
Para se filiar ao clube
basta pagar uma mensalidade de R$ 15,00, utilizada para
comprar os troféus e pagar o aluguel da sala. Porém,
como o clube dispõe de um espaço pequeno,
20 botonistas estão na fila de espera. “Infelizmente,
os clubes de Campinas não incentivam o futebol de
mesa. Em São Paulo é bem diferente. Lá,
em qualquer clube, grande ou pequeno, há um espaço
para a prática do esporte”, diz o presidente
Ricardo Nardy.
Dividido em três séries
– ouro, prata e bronze, como se fossem três
divisões com seis times cada –, o campeonato
dura quatro meses e é disputado no sistema de pontos
corridos. “Toda rodada é colocada no computador.
Fazemos um ranking quadrimestral e outro anual. Para não
haver confusões, temos que ter uma boa organização”,
diz.
Sócio e diretor do
clube, Celso de Assis utiliza os torneios de quarta-feira
para se aprimorar para as competições profissionais
que disputa. No último Campeonato Brasileiro, realizado
em Belo Horizonte, o empresário defendeu as cores
do Rio Branco, de Americana. Ficou em quinto lugar na série
prata no torneio por equipes. Entre os parceiros de time,
estava Sérgio Castilho, um dos maiores incentivadores
do futebol de mesa no País.
Recentemente, o clube ficou
mais triste. Castilho, aos 69 anos, morreu, vítima
de enfarte. Ele era fabricante das bolas do jogo e também
de botões especiais. O legado fica para o filho,
o veterinário Serginho Castilho, também amante
do esporte.
Vício do
bem
No clube da bolinha, as
mulheres também têm vez. Um exemplo é
Ligia Maria Waki, que mostra seu talento nos “gramados”
especiais. Professora de uma escola com atividades extra-curriculares
para os filhos dos funcionários da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), ela só aprendeu a jogar este
ano, apesar de ter brincado com os primos quando criança.
E foi por acaso. Alguns
alunos pediram a ela que os ensinasse a jogar botão.
“Para mim, era apenas um brinquedo. Quando pesquisei,
vi que era um esporte”, diz. Após aprender,
Ligia se viu contagiada. Segundo ela, é como um vício
do bem, muito difícil de largar.
Depois de se associar ao
clube, Ligia ganhou um time cor-de-rosa. A equipe foi presente
de Celso de Assis, que também fabrica campos como
hobby. O conjunto é uma de suas equipes favoritas
para a disputa de torneios.
Sete décadas
de sucesso
Inventado por Geraldo Cardoso
Décourt, em 1930, o jogo de botão começou
com botões de cuecas. Em seguida, ele utilizou os
botões de calças. À mesa usada para
a prática, Décourt deu o nome de Celotex,
em virtude do material de confecção da tábua.
A importância deste brasileiro para o futebol de mesa
é tanta que o ex-governador Geraldo Alckmin, em 2001,
estabeleceu o dia 14 de fevereiro, data de nascimento de
Décourt, como o dia do botonista.
Ao longo de mais de sete
décadas, muitas modificações ocorreram
no esporte. Várias regras foram inventadas e os materiais
de jogo não são mais os mesmos. Em 1970, a
fábrica de brinquedos Estrela lançou o famoso
“Estrelão”. Até hoje, alguns adeptos
optam por chamar assim a mesa de jogo.
Os jogadores, que já
foram botões de antigos ternos ou vidros de relógios,
foram industrializados em 1950. Passaram a ser de plástico
com os escudos dos principais times ao centro. Para as bolas,
botões de camisas e pecinhas do jogo War eram as
preferidas.
Atualmente, os botões são produzidos em acrílico.
Os modelos profissionais são confeccionados ao gosto
do botonista. Detalhes como medida, angulação,
cavação e altura são milimetricamente
calculados pelos fabricantes. As bolas, além do formato
de pastilha, também podem ser esféricas.
Regra 12 toques
(Paulista)
Tempo de jogo: 10 minutos
cada tempo
Nº de toques: 12 coletivos e 3 individuais no máximo
Botões: 3,5 a 6cm (diâmetro)
Goleiro: 8 x 3,5cm
Bola: esfera de feltro de 1cm (diâmetro)
Traves: 12,5 x 5cm
Campo: 1,8 x 1,2m
Origem: São Paulo
Características: mais jogada no País, a regra
paulista permite que o botonista atinja o limite de 12 toques.
Destes, no máximo três devem ser feitos com
um mesmo jogador. Dá para conseguir uma boa posição
do botão para o chute a gol. Em cada tentativa, o
botão deve tocar na bola. Tem como ponto forte a
precisão dos chutes, o que geralmente traz placares
elásticos. De todas as regras confederadas, é
a mais fácil de ser jogada. Não tem rebotes
nem escanteio, o que deixa o jogo mais fácil de ser
interpretado.
Regra 3 toques (Carioca)
Tempo de jogo: 25 minutos
em cada tempo
Nº de toques: 3 coletivos
Botões: 6cm (diâmetro) no máximo
Goleiro: 7 x 3,5cm
Bola: esfera de feltro de 1cm (diâmetro)
Traves: 14,6 x 4,9cm
Campo: 2,2 x 1,6m
Origem: Rio de Janeiro
Características: a mesa possui medidas proporcionais
a um campo de futebol. Nessa regra, o botonista só
terá direito ao terceiro toque se fizer um passe
no segundo. Além disso, a bola deve permanecer no
campo do adversário por pelo menos uma jogada para
poder chutar a gol. É bem próximo do futebol
de campo, com impedimentos, escanteios e rebotes. Pela complexidade,
deve haver um árbitro para comandar a partida. O
posicionamento dos botões é fundamental.
Regra 1 toque (Baiana)
Tempo de jogo: 25 minutos
em cada tempo
Nº de toques: 1 coletivo
Botões: 6cm (diâmetro) no máximo
Goleiro: 6 x 3,8cm
Bola: disco de polietileno com 1cm de diâmetro e 2mm
de altura
Traves: 15 x 6cm
Campo: 2 x 1,4m
Origem: Bahia
Características: é jogada com um disco em
vez de uma bola. Os botões são mais altos
e a trave é maior. É permitido apenas um toque
por jogador e o chute a gol só é válido
quando o disco estiver no ataque. Além de uma boa
estratégia, necessita-se de habilidade manual. É
a regra com placares mais baixos, devido à sua dificuldade.
Jogadores ensinam
a manter as peças preservadas e em bom estado
Para deixar seu botão
lustroso e deslizante, combine silicone e lustra-móvel
em quantidades iguais. Coloque a mistura num pano e passe
nos botões.
Depois de lustrado, evite
colocar a mão no botão.
Compre ou faça um
estojo para guardá-los.
Para limpar a mesa, utilize
um pano seco. Nada de usar produtos químicos.
A paleta deve ser escolhida
a gosto do botonista. Medidas e materiais são opções
pessoais.
Nossas fontes
Ricardo Nardy

Esportes
Futebol de mesa reúne craques em Socorro
Campineiro
está entre os 200 participantes da competição
que vai até domingo
Adriana
Giachini
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
amaral@rac.com.br
O
dia é das crianças, mas a diversão
é para adultos. Cerca de 200 botonistas de todo
o País irão participar, a partir de hoje,
em Socorro, da 18ª edição do Campeonato
Nacional de Futebol de Mesa, categoria 12 toques. E explica-se:
apesar de o esporte lembrar a infância, época
na qual geralmente as pessoas começam a praticá-lo,
não haverá espaço para brincadeiras.
"O campeonato reúne os melhores do ranking
do País e todo mundo entra para tentar ser campeão",
alerta o campineiro Cristiano Praffath, de 34 anos, que
defende o Rio Branco de Americana.
Vice-campeão
brasileiro em 99, na categoria três toques, Cristiano
estréia no torneio de 12 toques e se mostra otimista.
"Só de participar já será muito
bacana. Estou no Rio Branco há seis anos e é
a primeira vez que um atleta da equipe consegue estar
no Nacional", afirma Praffath, fundador de um grupo
de estudos na cidade sobre a modalidade.
Há
oito meses, ele coordena no clube Fonte São Paulo
um grupo de aficionados pelo futebol de botão e
cúmplices no sonho de ver novamente Campinas disputando
Paulistas e Brasileiros da modalidade. "O presidente
do clube, Arthur Orsi, nos deu o espaço e, mesmo
com tão pouco tempo, já temos 25 membros.
Agora, estamos procurando patrocinadores que nos ajudem
a participar das competições."
Cristiano
começou a jogar aos 8 anos, influenciado pelo futebol
de campo. "Acho o futebol de mesa apaixonante porque
é o único do mundo no qual o jogador pode
escolher sua seleção dos sonhos. Posso ter
em campo Pelé e Maradona", brinca ele que,
nesse Brasileiro, optou por um time sem "grandes
estrelas".
Torcedor
da Ponte Preta, Cristiano garante que, quando não
está no trabalho — é motorista de
ambulâncias — não deixa de reservar
um tempo para treinar. Praticante há quase 25 anos,
ele integrou, por duas vezes, o extinto clube Campinas
Futebol de Mesa, da década de 90, e diz ter, entre
medalhas e troféus, mais de 30 prêmios em
casa. "Parei por um tempo, mas acabei voltando. É
um esporte muito interessante e posso quase me sentir
um jogador."
O
Nacional de Futebol de Mesa irá reunir botonistas
de dez estados, entre eles, o bicampeão brasileiro
Marcus Paulo L. Zuccato, de Socorro. As decisões
acontecem domingo. Os jogos serão no Clube XV (Praça
Coronel Olímpio G. dos Reis).
SAIBA
MAIS - Conheça detalhes do futebol de mesa
Pioneiro
A
primeira edição do Brasileiro de Futebol
de Mesa aconteceu em 1989. Atualmente, o torneio acontece
em três categorias (um toque, três toques
e 12 toques).
Homenagem
Em
1964 foi lançada a coleção "Onze
de Ouro", criada para homenagear às Seleções
Brasileiras de 1958 e 1962, campeãs mundiais, inclusive,
com o botão do craque Pelé.
Sorteio
A
18ª edição do Campeonato Nacional de
Futebol de Mesa terá participação
de 64 botonistas no master; 96 no adulto; 24 no infantil
e 24 no juvenil.
Preço
O
Futebol de Mesa, ao contrário do de botão,
não é um esporte barato. Uma equipe para
competições profissionais custa em média
R$ 60. Um bom goleiro não sai por menos que R$
20.

Publicada
em 9/2/2003
Esportes
Futebol de mesa, o "esporte" de gerações
"Você
é o Felipão, o beque e o Ronaldinho."
Para Sérgio Castilho, jogador de futebol de mesa
há mais de 50 anos, a sensação de
dar as palhetadas nos "atletas de botão"
é como esquecer da vida e projetar as jogadas realizadas
na mesa aos toques mágicos dos Futebol
de mesa, o "esporte" de gerações
"Vai
pro gol": até num campinho improvisado, você
é Felipão e Ronaldinho, sem nenhuma cerimônia.
Eduardo
Caruso
Da Agência Anhangüera
caruso@rac.com.br
"Você
é o Felipão, o beque e o Ronaldinho."
Para Sérgio Castilho, jogador de futebol de mesa
há mais de 50 anos, a sensação de
dar as palhetadas nos "atletas de botão"
é como esquecer da vida e projetar as jogadas realizadas
na mesa aos toques mágicos dos seus ídolos
do esporte mais popular do Mundo. Castilho lembra com
muita precisão e nostalgia suas principais conquistas
e os lances inesquecíveis que conseguiu com os
jogadores de acrílico, dentro das quatro linhas
de um Estrelão (o tradicional "campinho"
comercializado pela Estrela durante décadas). "Meus
dois lances mais bonitos não foram em jogadas de
gol, mas sim de defesa", afirma o "craque".
Castilho se lembra como se fosse hoje do dia que teve
o primeiro contato com o esporte. Em 1946, quando o botonista
completava o seu oitavo ano de vida, um xará, Sérgio
Brunner Bastos, na época médico do time
profissional do Corinthians, ajuntou a patota da rua no
bairro de Vila Madalena, em São Paulo, e ensinou
os primeiros passos do jogo para a molecada. “Eu
fui um deles”, comenta orgulhoso.
Hoje, aos 64 anos, conta como se fosse garoto as principais
conquistas ao longo da sua trajetória com o botões.
Com uma técnica apurada e uma grande familiaridade
com o esporte, Castilho conquistou, em 1993 e 98, os principais
títulos da sua carreira: campeão brasileiro
e campeão da Taça Brasil de Futebol de Mesa,
repectivamente.
O maior rival do jogador é o seu filho, Sérgio
Castilho Filho, 37 anos. “Ele é o meu principal
rival. Embora eu tenha mais técnica, ele é
um rolo compressor”, afirma o jogador, sem desmerecer
a sua capacidade e, ao mesmo tempo, sem deixar de ser
um ‘pai coruja’. “Eu venci meu desafio.
Eu consegui que meu sucessor fosse igual ou melhor do
que eu. Agora, quero que ele faça também
isso com o filho dele”, conclui.
Três
regras
Em 1930, Décourt, mais conhecido como o ‘papa
do botão’, publicava as primeiras regras
do futebol de mesa no livro Regras Officiaes do Foot-ball
Celotex, com a idéia de unificar o modo de jogar
o esporte em todo o Brasil. Mesmo assim, as modalidades
variam até hoje, conforme as regiões do
País.
Basicamente existem três modalidades, consideradas
oficiais pela Associação Brasileira de Futebol
de Mesa (ABMF). São elas, as regras baiana, carioca
e paulista.
Regra
carioca é considerada a mais técnica
Desde
1983, o botonista Sérgio Castilho abandonou o estilo
paulista de jogar botão e se rendeu às regras
cariocas, adotadas pela Associação Brasileira
de Futebol de Mesa (ABMF). "A regra carioca é
muito mais técnica", avalia. Na regra carioca,
disputada em algumas regiões do Rio de Janeiro,
Minas Gerais e mais raramente em São Paulo, o jogador
pode dar até três toques nos botões
na mesma jogada. Na segunda paletada, o botonista tem
que passar a bola a outro jogador para viabilizar o terceiro
toque. Os botões são mais finos e possuem
uma bainha (área de chute) menor. "Com a bainha
menor, é melhor para o toque e pior para o chute",
afirma.
Já a regra paulista, além de ser usada na
maior parte do Estado de São Paulo, difundiu-se
para o Paraná, parte do Rio de Janeiro e Nordeste.
Cada jogador pode tocar 12 vezes em cada jogada, sendo
que um mesmo botão pode ser tocado no máximo
três vezes na bola. O botão possui um furo
no centro para a entrada de ar. "O furo evita que
os jogadores grudem na mesa."
A única modalidade que Castilho não aceita
como esporte é a baiana, também conhecida
como gaúcha. A principal característica
dessa regra é que cada botonista pode dar apenas
um toque na bola na sua vez de jogar. "Eu não
considero a regra baiana como futebol de mesa. Pode ser
qualquer outro nome, mas futebol de mesa não é",
comenta. Nessa modalidade, os jogadores possuem uma bainha
maior, pois a prioridade é o chute.
Os campeonatos organizados pela Federação
Paulista (FPFM) se divide nas categorias A-1, A-2, B e
juvenil, por equipes, e ouro, prata, bronze, extra, master
e juvenil, nas disputas individuais. (EC/AAN)
Além
de botonista, jogador fabrica os próprios "atletas"
de acrílico
A
paixão pelo 'esporte' é tão intensa
na vida de Sérgio Castilho, que além de
jogar futebol de mesa, o botonista se dedicou também
à fabricação dos jogadores de acrílico.
Desde 1962, já confeccionou mais de mil times completos,
com 12 jogadores. A qualidade e o desenvolvimento da técnica
são um segredo. Atualmente, Castilho recebe encomendas
de todo o Brasil.
Entre os times que fazem parte do seu acervo particular,
o botonista destaca o degradê em preto, que segundo
ele, cada botão tem um nome de atleta negro que
brilhou nos gramados do futebol. O camisa 10, não
podia ser outro, é o número atribuído
ao Rei Pelé, e tem como apelido Negrão.
Mas como um bom são-paulino, o jogador mais estimado
por Castilho é o centroavante Benedito. "Num
jogo entre Corinthians e São Paulo, ele fez um
'gol espírita'. O beque do Corinthians correu com
ele e quando a bola estava na linha de fundo, Benedito
pegou de sem-pulo na bola e conseguiu fazer o gol, dando
a vitória para o São Paulo por 1 a 0",
confirma.
Castilho também não se esqueceu dos grandes
rivais da história do futebol, nas suas reproduções
em acrílico. Um deles é a equipe do Uruguai,
que venceu o Brasil na final da Copa de 50 por 2 a 1 em
pleno Maracanã. "No fim, eu acabo através
do botão deixando de ter mágoas desses jogadores.
Teve um campeonato que o único time que não
estava grudando na mesa era o Uruguai e eu fui bem",
ressalta.
Para fabricar os botões, Castilho pede as especificações
para o cliente e se vira para conseguir o resultado final,
que agrade a ele e a pessoa que fez a solicitação.
"Se ele quiser uma composição de cores,
escudos e outras coisas, eu faço."
(EC/AAN)
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